
O Governo Federal oficializou o aumento do imposto de importação para mais de mil itens, incluindo componentes essenciais para computadores como processadores (CPUs), placas de vídeo (GPUs), memórias RAM e placas-mãe. A medida foi publicada no Diário Oficial da União por meio da Resolução GECEX nº 852/2026 da Câmara de Comércio Exterior e já está em vigor para parte dos produtos, com o restante das novas alíquotas entrando em vigor em 1º de março de 2026.
O impacto para o consumidor final pode ser severo: especialistas estimam que o preço dos componentes pode aumentar entre R$ 1.000 e R$ 2.000 por peça dependendo do produto e da cadeia de tributação.
O que muda nas alíquotas
Produtos classificados como bens de informática e telecomunicações (BIT) tiveram suas alíquotas significativamente elevadas. Itens que antes pagavam 0% ou 2% de imposto de importação passam agora a pagar 12,6% ou até 20%, dependendo da classificação fiscal (NCM) de cada produto.
A mudança foi aprovada na 233ª reunião ordinária do Comitê-Executivo de Gestão (GECEX), realizada em 28 de janeiro. A aplicação considera a data de registro da Declaração de Importação (DI), com parte das novas alíquotas já vigentes desde 6 de fevereiro e o restante entrando em vigor no próximo domingo.
Por que o aumento?
Segundo o Ministério da Fazenda, a importação de bens de capital e de informática cresceu mais de 33% desde 2022. Atualmente, produtos importados – principalmente dos Estados Unidos e da China – já representam mais de 45% do consumo nacional nesses segmentos. O aumento tributário visa, oficialmente, equilibrar a balança comercial e estimular a produção nacional.
O efeito cascata até o consumidor
O impacto final no preço pago pelo consumidor é muito maior do que a simples elevação da alíquota, devido ao chamado “efeito cascata” da tributação brasileira. Entenda o caminho percorrido por um componente até chegar às lojas:
Passo 1: No porto (impostos federais e estaduais)
- Valor inicial (FOB + frete internacional + seguro = CIF)
- Imposto de Importação (II) incide sobre o valor CIF
- IPI incide sobre CIF + II
- PIS/COFINS-importação incide sobre CIF + II + IPI
- Despesas aduaneiras entram na base do ICMS estadual (que chega a 18% em estados como RJ)
- Resultado: o custo desembaraçado (landed cost) pode dobrar ou triplicar o valor FOB original
Passo 2: Logística interna
- Transporte rodoviário até centros de distribuição em SP ou RJ
- Armazenagem e margem do fornecedor: 10% a 15% adicionais
Passo 3: Distribuição para lojas
- Fornecedor vende para atacadistas ou diretamente para varejistas (Kabum, Pichau, etc.)
- Atacadistas aplicam markup de 15% a 25% para cobrir logística e estoque
Passo 4: Loja para consumidor final
- Lojas aplicam margem final de 25% a 40% para cobrir aluguel, funcionários e operação
- Preço final na prateleira inclui todos os custos acumulados
Impacto estimado
O aumento do imposto de importação de 0-2% para 12-20% no porto gera um acréscimo de R$ 300 a R$ 600 por componente apenas nessa etapa. No entanto, considerando toda a cadeia de tributação e as margens aplicadas em cada fase, o impacto total no varejo pode chegar a R$ 1.000 a R$ 2.000 por peça, dependendo do produto e da região.
Produtos mais afetados
Os componentes mais impactados pela medida incluem:
- Processadores (CPUs) – essenciais para qualquer configuração de PC
- Placas de vídeo (GPUs) – já com preços elevados devido à demanda do mercado gamer e de mineração
- Memórias RAM – fundamentais para desempenho em jogos e aplicações profissionais
- Placas-mãe – base de qualquer sistema, com variações de preço conforme o chipset
Recomendações para consumidores
Para quem está planejando montar ou atualizar um computador nos próximos meses, especialistas recomendam:
- Antecipar compras antes da entrada em vigor das novas alíquotas (1º de março)
- Pesquisar preços em diferentes varejistas, pois os repasses podem variar
- Considerar a compra de produtos usados ou de linhas nacionais, quando disponíveis
- Acompanhar promoções e estoques, já que a tendência é de alta nos preços




