
Paramount-e-HBO-Max
O mercado de streaming está prestes a passar pela sua maior transformação dos últimos anos. O CEO da Paramount Skydance, David Ellison, confirmou nesta segunda-feira, 2 de março, que após a conclusão da aquisição da Warner Bros. Discovery, as plataformas HBO Max e Paramount+ serão fundidas em um único serviço de streaming. O anúncio foi feito durante uma teleconferência com investidores e representa uma das integrações mais significativas já vistas na guerra dos streamings.
Como chegamos até aqui: a batalha pela Warner Bros. Discovery
Para entender a dimensão do que está acontecendo, é preciso voltar alguns passos. A Warner Bros. Discovery foi alvo de uma acirrada disputa entre a Netflix e a Paramount Skydance nas últimas semanas.
A Netflix chegou a firmar um acordo para adquirir os ativos de estúdio e streaming da WBD por aproximadamente 82,7 bilhões de dólares, excluindo os ativos de TV a cabo. A Paramount, no entanto, continuou apresentando propostas, e no dia 27 de fevereiro a Warner anunciou que a oferta da Paramount de 31 dólares por ação era uma proposta superior. A Netflix tinha quatro dias úteis para contra-oferecer, mas optou por se retirar completamente da disputa.
Com isso, a Paramount Skydance sagrou-se vencedora da negociação. O valor total do negócio, incluindo a dívida da WBD, ultrapassa os 110 bilhões de dólares, tornando essa uma das maiores transações da história do entretenimento.
O que David Ellison confirmou sobre a fusão dos streamings
Durante a teleconferência com investidores desta segunda-feira, Ellison foi direto sobre os planos para as plataformas de streaming. A combinação dos dois serviços criaria uma plataforma com mais de 200 milhões de assinantes diretos, considerando os 131,6 milhões da Warner Bros. Discovery e os 78,9 milhões da Paramount ao fim do quarto trimestre.
O executivo destacou que esse número posicionaria a empresa de forma competitiva frente aos maiores players do mercado. Para efeito de comparação, a Netflix encerrou 2025 com 325 milhões de assinantes globais.
A Paramount já está em processo de consolidar sua própria infraestrutura de streaming, unificando o Paramount+, o Pluto TV e o BET+ em uma plataforma única até meados de 2026. A mesma abordagem será aplicada para integrar os ativos de streaming da Warner Bros. Discovery.
A HBO vai continuar sendo a HBO
Um dos pontos mais discutidos do anúncio é o futuro da marca HBO, considerada por muitos a mais valiosa do portfólio da Warner. Ellison foi categórico ao reafirmar o compromisso com a independência criativa da marca.
O executivo reconheceu que a equipe da HBO faz um trabalho excepcional e que a intenção é que o canal e sua equipe operem de forma independente dentro da nova estrutura, com recursos e autonomia para continuar produzindo o conteúdo de qualidade que consagrou a marca ao longo de décadas. A HBO deve funcionar como uma submarca de prestígio dentro da plataforma unificada, preservando sua identidade sem ser diluída pela fusão.
O que a fusão traz de conteúdo para os assinantes
A combinação dos dois portfólios criaria um catálogo de proporções históricas. Do lado da Warner Bros. Discovery, o acervo inclui franquias como DC Comics, Harry Potter, Game of Thrones e todo o catálogo da HBO. Do lado da Paramount, entram franquias como Star Trek, Mission: Impossible, Transformers, South Park e os conteúdos da MTV, Comedy Central e Nickelodeon.
A empresa resultante também assume o controle da CNN, atualmente propriedade da WBD. Ellison confirmou que não há planos de desinvestimento em ativos de TV a cabo no momento, o que significa que o novo conglomerado vai operar com um portfólio imenso de canais lineares e digitais simultaneamente.
No campo do cinema, cada estúdio deverá lançar cerca de 15 filmes por ano, mantendo uma janela exclusiva de 45 dias nos cinemas antes da chegada ao streaming, totalizando pelo menos 30 lançamentos teatrais anuais pelo novo conglomerado.
O que ainda não está definido
Apesar do anúncio, muitas questões práticas ainda estão em aberto. O nome da plataforma unificada não foi revelado. Os preços da nova assinatura também não foram discutidos. O destino do Pluto TV e do BET+ dentro da nova estrutura não foi esclarecido. E o Discovery+, que opera separadamente da HBO Max nos Estados Unidos, também aguarda definição.
Além disso, a transação ainda precisa ser aprovada pelos acionistas da Warner Bros. Discovery, com votação esperada para o início da primavera de 2026 no hemisfério norte, e por órgãos regulatórios dos Estados Unidos e de outros países. Caso os reguladores bloqueiem o negócio, cláusulas contratuais preveem uma multa rescisória de 7 bilhões de dólares.
Democratas no Congresso americano já sinalizaram que vão examinar a transação com atenção, o que pode adicionar camadas de complexidade à aprovação regulatória. A empresa resultante nasceria com aproximadamente 79 bilhões de dólares em dívida, com planos de cortes de custos de cerca de 6 bilhões de dólares para equilibrar as contas.
A fusão, se aprovada, redesenhará completamente o mapa do streaming global. Fique de olho nos próximos desdobramentos porque essa história ainda tem muito capítulo pela frente.




