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Poucos nomes carregam tanto peso na história dos videogames quanto Quake. O shooter da id Software que chegou em 1996 não apenas definiu o gênero de tiro em primeira pessoa, mas estabeleceu as fundações técnicas sobre as quais boa parte do FPS moderno foi construído. O Counter-Strike, o maior shooter competitivo de todos os tempos, nasceu diretamente de uma modificação feita sobre a engine do Quake. E agora, após anos de silêncio, há sinais de que a franquia pode estar prestes a voltar.
O registro de marca que acendeu o sinal
A ZeniMax Media, empresa-mãe da id Software, registrou uma nova marca no dia 3 de março de 2026. O registro consiste em um texto estilizado com a palavra QUAKE em caixa alta, utilizando uma tipografia próxima à dos jogos originais da franquia. O semicírculo com um prego, símbolo icônico que sempre acompanhou a identidade visual do Quake, não aparece neste registro específico, mas isso é comum em fases iniciais de registro de propriedade intelectual antes de uma reveal oficial.
Registros de marca não confirmam o desenvolvimento de nenhum produto específico, mas a indústria tem um histórico consistente de usar esse tipo de movimentação como indicador confiável de que algo está sendo preparado para anúncio. A data recente do registro, apenas cinco dias antes desta reportagem, e a escolha de uma tipografia claramente alinhada à identidade histórica da franquia dificultam a interpretação como uma simples renovação burocrática de marca existente.
O histórico recente: Quake Champions e o silêncio
O último jogo da franquia foi Quake Champions, um shooter online free-to-play lançado em early access em 2017 e que teve seu desenvolvimento oficialmente concluído em 2022. A tentativa de reviver Quake através de um modelo live-service gratuito não funcionou como esperado: o jogo mal registra atividade nos dias de hoje e ficou muito aquém do impacto que os títulos clássicos da série tiveram na indústria.
Enquanto isso, os irmãos de franquia da id Software, Doom e Wolfenstein, receberam reboots aclamados que reafirmaram a relevância criativa do estúdio no gênero. O sucesso de DOOM (2016), DOOM Eternal e DOOM: The Dark Ages deixou uma questão óbvia em aberto: quando chegaria a vez do Quake?
O que o novo jogo poderia ser
O design da marca registrada, combinado com o contexto atual do mercado, levanta a hipótese de um reboot completo da franquia, permitindo que o Quake recomeça do zero sem o peso narrativo dos títulos anteriores. Há alguns caminhos possíveis para onde um novo jogo poderia seguir.
O cenário mais discutido é um título single-player focado, seguindo exatamente o modelo que funcionou tão bem com o reboot do Doom. Os chamados boomer shooters, jogos de tiro rápido com design old school mas produção moderna, têm gerado sucessos consistentes nos últimos anos, com títulos como DUSK e Ultrakill alcançando resultados expressivos justamente por abraçar a filosofia de jogo que Quake ajudou a criar nos anos 1990. Um Quake moderno com campanha single-player robusta, narrativa ambiental e velocidade de movimento característica do original seria uma proposta com apelo enorme.
Onde e quando o anúncio pode acontecer
A GDC acontece entre 9 e 13 de março, mas o evento raramente serve como palco para revelações de grandes jogos. As apostas mais prováveis são a PAX East, que ocorre no final de março, ou o Summer Game Fest em junho, tradicional vitrine de anúncios do primeiro semestre do ano.
Seja qual for o formato, a expectativa é que a ZeniMax tenha pelo menos algo relacionado ao Quake para mostrar nos próximos meses, mesmo que não seja imediatamente um novo jogo completo. A franquia que deu origem a boa parte do FPS moderno merece muito mais do que o esquecimento, e a id Software tem o histórico e a competência para fazer jus a esse legado.




